Comunidade vence queda de braço e SPTrans recua sobre localização do Terminal Jardim Miriam.
Por Sergio Pires
Após intensa pressão popular e resistência de moradores e comerciantes do Jardim Miriam, a Prefeitura de São Paulo, por meio da SPTrans, confirmou que irá analisar um novo local para a construção do futuro Terminal Jardim Miriam. A decisão marca uma nova vitória para a comunidade local, que lutava contra o decreto de utilidade pública que previa a desapropriação de 126 imóveis entre a Avenida Cupecê e as ruas Luís Stolb e Francisco Alves de Azevedo. Agora, a prioridade defendida pelos moradores é que o equipamento seja instalado na área onde hoje funciona o Sacolão do Jardim Miriam, visando reduzir o impacto social.
A Força da Comunidade: O Sacolão como Prioridade
A principal reivindicação dos moradores, é que a obra utilize terrenos públicos ou áreas de menor impacto residencial. A sugestão de utilizar a área do Sacolão da região da Praça do Jardim Miriam ganhou força por ser um ponto central e estratégico, evitando o despejo de famílias que residem há décadas no trecho anteriormente escolhido pela prefeitura. “O local escolhido inicialmente era afastado e exigiria uma reestruturação total das linhas. Se querem visibilidade e eficiência, por que não aproveitar o entorno da praça?”, questionou um dos comerciantes locais que preferiu não se identificar.
Um Histórico de Resistência: De Erundina a Nunes
A luta contra a localização imposta pelo poder público no Jardim Miriam não é recente. O histórico do terminal é marcado por projetos que, desde a década de 60, tentam se estabelecer sobre áreas consolidadas do bairro.

- Anos 90: Durante a gestão da prefeita Luiza Erundina, um projeto previa a demolição de casas e da Paróquia Nossa Senhora de Aparecida, na Cupecê. Na época, a mobilização liderada pelo Padre Antônio Alves, da Igreja Santa Edwiges, foi decisiva. Ele relembrou em entrevista em 2021 ao Jornal O Bairro, quando concedeu esta foto ao jornal, e falou sobre o encontro histórico no gabinete da prefeita que impediu as demolições: “Sempre estivemos ao lado da comunidade. Fomos para a rua e impedimos que derrubassem as casas e a paróquia”, afirmou o religioso.
- 2022: O prefeito Ricardo Nunes publicou o decreto nº 61.529, declarando 18 mil metros quadrados como utilidade pública, retomando o temor das desapropriações em massa.
- Setembro de 2023: A SPTrans chegou a abrir licitação para estudos ambientais e territoriais na área contestada.
Veja abaixo as residências e o comércio que sairia da rregião caso o projeto fosse aprovado.


O Recuo da SPTrans
Embora a prefeitura reitere que o terminal é essencial para beneficiar 200 mil passageiros diariamente, a última atualização do órgão sinaliza uma mudança de postura em favor do diálogo. Em nota oficial, a SPTrans declarou:
“A Prefeitura de São Paulo, por meio da SMT e da SPTrans, analisará um novo local social e tecnicamente apropriado para a instalação do futuro Terminal Jardim Miriam.”
Esta nova fase do projeto prevê reuniões com a comunidade nas próximas semanas, mediadas pela Subprefeitura de Cidade Ademar. Para os moradores, a expectativa é que o novo estudo técnico finalmente acolha a sugestão do terreno do Sacolão, transformando a necessidade de mobilidade urbana em um benefício que não custe o teto das famílias locais.
Principais Dados do Projeto:
- Público estimado: 200 mil pessoas/dia.
- Imóveis sob risco (projeto anterior): 126 imóveis particulares.
- Status atual: Licitação de estudos técnicos em andamento, com reavaliação de local.



