Quando a Memória Ocupa o Pátio: Os 55 Anos da EMEF Habib Carlos Kyrillos e o Valor do Pertencimento
Por Sérgio Pires
São Paulo • 12 de Setembro de 2026
Há muros que se erguem para separar a cidade e há muros que aprendem a guardar memórias. Na EMEF Habib Carlos Kyrillos, cravada no coração da Zona Sul no Bairro do Cupecê, as paredes azuis cobertas de grafites coloridos contam histórias que nem a poeira nem o tempo conseguiram apagar. Passadas algumas semanas desde a manhã ensolarada do dia 8 de agosto, os ecos do primeiro reencontro de ex-alunos, professores, funcionários, e a atual comunidade continuam ressonando pelos corredores, lembrando a todos que a escola pública é, antes de tudo, um patrimônio vivo de afeto.
O evento, que celebrou os 55 anos de fundação da instituição (1971–2026) sob a jurisdição da Diretoria Regional de Educação de Santo Amaro, havia sido pensado inicialmente de maneira tímida. A intenção original era fazer apenas uma celebração modesta no pátio. No entanto, a força da memória comunitária tem um jeito próprio de multiplicar vontades e derrubar distâncias.

Durante as comemorações, em conversa no pátio da escola, a diretora da unidade, Andréa de Paula, relembrou com emoção como o projeto tomou corpo e envolveu a todos:
“Este dia representa o resgate genuíno de uma história construída a muitas mãos por pais, alunos e educadores que acreditam no ensino público. Ver professores e antigos funcionários retornando após anos de aposentadoria nos mostra que, mais do que tijolos e concreto, o que erguemos aqui ao longo de mais de cinco décadas foram laços profundos de afeto e amizade.”
A semente do reencontro nasceu do desejo de celebrar o aniversário da escola chamando quem viveu sua rotina ao longo das últimas décadas. Há anos, Andréa começou a procurar contatos em grupos de ex-estudantes e veteranos da região. A mobilização se transformou em uma grande corrente que envolveu até mesmo os atuais alunos, responsáveis por criar o slogan oficial da festividade: “Nossa história continua com você!”. O que começara como uma ideia pequena transformou-se em uma grande assembleia de memórias.
Mais do que olhar para o passado, o reencontro serviu para reafirmar o papel presente da escola como ponto de encontro comunitário. A diretora Andréa de Paula fez questão de enfatizar que o sentimento de pertencimento deve continuar vivo no cotidiano da instituição:
“As portas da nossa escola permanecem e sempre estarão abertas para os nossos ex-alunos e para a comunidade. Seja para o uso da quadra nos finais de semana, seja no apoio às escolinhas de esporte ou nas ações do bairro, reencontrar-se é reconhecer que ninguém constrói seu caminho sozinho e que esta casa continua sendo de todos vocês.”
Quando ex-professores e ex-alunos se abraçaram no pátio, renovou-se a certeza de que a educação pública de qualidade transforma vidas de forma silenciosa e duradoura. A EMEF Habib Carlos Kyrillos provou que segue de portas e corações abertos — como esteve ao longo de seus 55 anos — para ser o lar de quem passa, o refúgio de quem fica e o porto seguro de quem sempre há de voltar.


