Nos anos 90, nas periferias, o cinema ficava longe, custava caro e, muitas vezes, nem existia por perto. A locadora de vídeo ocupou esse vazio. Numa esquina como a da Avenida Brás de Abreu com a Praça Tito Pacheco, em frente à escola, uma fachada amarela com letras pintadas à mão e prateleiras de fitas VHS era a porta para o mundo do cinema. Confesso que na época estava tirando fotos de buracos na rua, como pode ser observado na imagem recuperada, mas ao fundo era a matéria principal.

A locadora era também ponto de encontro. A gente ia escolher o filme da noite, descobria o lançamento na capa, pedia indicação ao atendente, que conhecia todo mundo pelo nome, e voltava para casa com a fita debaixo do braço. Sábado à noite, a família inteira se juntava diante da TV para ver o que tinha sido alugado. Os cartazes colados na vitrine anunciavam um mundo que muita gente só conhecia por ali.

Hoje, quando o streaming resolve tudo com um clique, vale lembrar que a locadora do bairro democratizou o acesso ao cinema e ao lazer, deu emprego e movimentou a vida da rua. Quem viveu isso guarda a memória de uma época em que escolher um filme era um passeio, e a esquina tinha cheiro de pipoca e de plástico de fita nova.

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