SPTrans multa empresa por atrasos na Cupecê

Descaso na Cupecê: Passageiros enfrentam superlotação e pontos sem cobertura na Zona Sul; SPTrans multa empresa

Por Sérgio Pires – Cidade Ademar São Paulo, 23 de maio de 2026

Moradores e trabalhadores que dependem do transporte público na Avenida Cupecê, no trecho entre a Cidade Ademar e o Jardim Miriam, enfrentam uma rotina diária de exaustão e desrespeito no final da tarde. A combinação entre o atraso crônico das linhas que atendem bairros como Guacuri, Apurá e Pedreira e a falta de infraestrutura nos pontos de parada tem transformado a volta para casa em um teste de paciência.

O Ponto da Rua Santo Afonso virou o símbolo desse gargalo. Sem espaço adequado ou cobertura para proteger os usuários do sol e da chuva, a calçada fica superlotada no horário de pico. Além do espaço físico reduzido, os passageiros criticam o tamanho dos veículos utilizados nas linhas locais, geralmente menores do que os que circulam pelo corredor principal.

Empresa multada por descumprimento de horários

Após questionamentos feitos pela reportagem do Jornal O Bairro do Cupecê , a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e a SPTrans admitiram falhas graves na operação da região.

Em nota oficial, a SPTrans informou que realizou uma vistoria no local e constatou “descumprimento de partidas, falta de pontualidade nos horários previstos e frota operacional em desacordo com o programado”. Como resultado direto das irregularidades, a concessionária A2 Transportes foi multada.

A gerenciadora do transporte paulistano também garantiu que vai intensificar a fiscalização sobre as linhas locais e que notificou a operadora para regularizar o serviço imediatamente.

Sobre a falta de infraestrutura no Ponto da Santo Afonso, a SPTrans informou que já solicitou à SPObras a instalação de um módulo de abrigo para garantir mais conforto aos passageiros. Segundo o órgão, o local é atendido por sete linhas (veja a lista abaixo) que deveriam ter intervalos de 7 a 10 minutos no pico da tarde — o que, na prática, não vinha acontecendo.

O que diz a população: “Pobre é esse sofrimento”

Nas redes sociais do jornal, a publicação sobre o problema gerou uma onda de desabafos e denúncias de moradores que se sentem abandonados pelo poder público.

O passageiro Julio Motoka relatou o tamanho da espera na Linha 5128-10 (Jd. Apurá – Metrô Conceição): “Depois que fiquei das 16:40 a 18:10 no Metrô Conceição… nunca mais”. O relato é endossado por Esther Joaquim Nicollas, que utiliza o mesmo serviço: “É assim mesmo, demora muito, tem vezes que eles nem passam no horário, e isso é todo dia”.

Para Bruno Pinnas, o problema também passa pelo tamanho dos veículos da linha 5012. “Tem que ter ônibus grande e rápido, porque os que rodam não cabe gente, são muito pequenos. Toma providências, A2 e SPTrans”, cobrou. Elias Barbosa de Oliveira criticou a transição da frota: “Gastaram rio de dinheiro para pôr estes ônibus elétricos na rua que cabe menos gente sentada do que uma perua Kombi, isso é uma vergonha”.

A localização e as condições das paradas também foram alvo de críticas. “Esse ponto é triste, em frente a um boteco”, lamentou Bruno Marques dos Santos. Já Alex Rodrigues apontou para uma crise estrutural na profissão: “A falta de ônibus está relacionada à falta de motoristas. O jovem não está renovando a profissão. Ninguém quer trabalhar sábado, domingo e feriado para receber um salário defasado e ter uma grande responsabilidade pelas vidas das pessoas”.

Diante do cenário, há quem defenda ações mais drásticas. Humberto Dias do Nascimento relembrou o histórico de mobilização da Zona Sul: “O povo tem que se manifestar. Quando é show que a Prefeitura promove, todo mundo vai. Temos que nos unir e fazer uma passeata na raiz de todos esses problemas, lá na Prefeitura, no Centro. Nos anos 90 faziam muito isso e tudo se resolvia”. Cláudio Roberto concorda: “São Paulo tá pior que os anos 80. Naquele tempo o pessoal tomava atitude, os caras rapidinho davam um jeito. Hoje o pessoal aguenta as coisas quieto”.

A sensação de isolamento foi resumida por Francisco Alves Lima — “Pobre é esse sofrimento” — e por João Machado Silva Neto, que detalhou a odisseia para chegar em casa: “Esse lado da cidade (Santa Amélia, Santa Terezinha, Parque Dorotéia, Jd. Apurá) é esquecido. Eu pego o ônibus Praça Dom Gastão/Jardim Miriam, desço quase no final e vou a pé até a garagem da Mobibrasil, e não passa um ônibus que vem do Jabaquara ou Conceição”.

O Jornal O Bairro continuará cobrando a SPTrans e a SPObras para que o abrigo seja instalado e os horários das linhas sejam cumpridos pela A2 Transportes.

🔍 Linhas afetadas e fiscalizadas na Av. Cupecê:

  • 5012/10 Vl. Guacuri – Jabaquara
  • 5015/10 Jd. São Jorge – Metrô Jabaquara
  • 5123/10 Jd. Miriam – Hosp. São Paulo
  • 5128/10 Jd. Apurá – Metrô Conceição
  • 5702/10 Refúgio Sta. Terezinha – Metrô Jabaquara
  • 5757/10 Cid. Júlia – Metrô Conceição
  • 5757/51 Pedreira – Metrô Conceição

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