Olhos Digitais: Smart Sampa avança na região com foco em corredores viários e divisas
Com mais de 2,8 mil câmeras públicas na Zona Sul — região onde ocorreu a histórica 3.000ª captura de foragido do programa —, cerco inteligente foca na Avenida Cupecê e eixos de transporte; SMSU detalha critérios em nota ao jornal.
Por: Sérgio Pires
O Bairro do Cupecê
São Paulo — O avanço do Smart Sampa, considerado o maior sistema de videomonitoramento inteligente da América Latina, consolidou a Zona Sul como um dos principais cinturões de segurança tecnológica da capital, concentrando 2.888 câmeras públicas instaladas pela Prefeitura. A relevância estratégica da região no combate à criminalidade ficou marcada recentemente, quando um ambulatório de especialidades da Zona Sul foi o cenário da 3.000ª prisão de foragido da Justiça realizada com o auxílio do reconhecimento facial do programa. Na área da Subprefeitura da Cidade Ademar, esse “cerco digital” atua integrado aos bancos de dados policiais, somando forças a um sistema que, em toda a cidade, já contabiliza 5.545 prisões em flagrante e mais de 3.180 capturas de procurados, com foco nos grandes eixos de transporte e nas rotas de fuga intermunicipais, como as divisas com Diadema.
A malha tecnológica da região, que é expandida diariamente por meio da integração de sistemas privados de comércios e residências, monitora em tempo real o fluxo de bairros como Cidade Ademar e Pedreira. O impacto direto no cotidiano local motivou uma pauta enviada por este jornal à Secretaria Municipal de Segurança Urbana (SMSU), que detalhou as diretrizes de instalação, os limites de privacidade e o funcionamento prático do monitoramento inteligente no nosso território.
Infraestrutura tática na Avenida Cupecê e pontos críticos
Respondendo aos questionamentos da reportagem sobre os critérios de escolha para os pontos de monitoramento no distrito, a SMSU informou, em nota, que a definição dos locais segue estritamente “critérios técnicos, como índices de criminalidade, fluxo de pessoas e veículos, além da proximidade de equipamentos públicos”. Na prática, o desenho do sistema na região prioriza o fluxo de pedestres no entorno de paradas de ônibus, do Poupatempo e de eixos comerciais saturados, como a Avenida Cupecê e a Avenida Yervant Kissajikian.
Sobre os desafios da zeladoria, como a relação entre a eficácia das câmeras e a iluminação pública deficitária em pontos periféricos, a pasta ressaltou que atua de forma coordenada com outros órgãos municipais para garantir respostas conjuntas. Além disso, quando ocorrem falhas técnicas ou ações de vandalismo contra os equipamentos instalados nos postes do bairro, o tempo de reparo não gera custos adicionais aos cofres públicos: “O contrato do programa prevê que qualquer manutenção, reparo ou substituição de equipamentos é de responsabilidade do consórcio encarregado (…), não gerando qualquer ônus para a administração municipal”, garantiu a secretaria.
Privacidade restrita e o papel dos moradores no monitoramento
Uma dúvida frequente dos moradores da Cidade Ademar é sobre a possibilidade de utilizar as imagens do Smart Sampa para solucionar problemas cotidianos, como flagrantes de descarte irregular de lixo ou acidentes de trânsito sem vítimas. A SMSU, contudo, reforçou que o foco do programa é a segurança pública e o estrito sigilo de dados.
“O acesso às imagens é restrito e segue protocolos de segurança e privacidade, sendo disponibilizado apenas mediante solicitação formal de autoridades competentes, como o Poder Judiciário e as polícias Civil e Federal”, esclareceu a nota da pasta.
Por outro lado, o cidadão comum e os comerciantes da região podem atuar ativamente no fortalecimento da rede de segurança. A prefeitura mantém aberto um chamamento público para a integração voluntária de câmeras privadas ao sistema. Novas demandas de monitoramento e sugestões de pontos vulneráveis também podem ser canalizadas e analisadas tecnicamente, inclusive por meio das articulações comunitárias da região, como as reuniões do Conselho Comunitário de Segurança (CONSEG) local.
Mobilidade e o impacto no corredor de ônibus
Além do combate ao crime, a infraestrutura do Smart Sampa atua como suporte direto para a mobilidade urbana na Zona Sul. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) integra os diferentes sistemas de monitoramento a partir da Central da GCM. Atualmente, a CET mantém 631 câmeras específicas para a fiscalização e gerenciamento das condições de trânsito em toda a capital.
Na Avenida Cupecê, essa integração permite que acidentes, veículos quebrados ou interferências na pista que travam o corredor de ônibus sejam detectados de forma ágil, permitindo o acionamento rápido de guinchos e agentes de trânsito para liberar o fluxo e mitigar os atrasos nas linhas que atendem os moradores do


