Quem manda no voto da Cupecê?

O raio-x dos deputados mais votados e a eterna negligência com os córregos e a urbanização

Com expressivo colégio eleitoral na ZE 351, a Cidade Ademar elegeu pesos-pesados da política estadual e federal, mas moradores cobram: onde estão as pautas para o Córrego Zavuvus e o caos estrutural da região?

As urnas da 351ª Zona Eleitoral (Cidade Ademar) ditaram o rumo do voto no distrito, consagrando Lucas Pavanato (PL), Erika Hilton (PSOL), Sâmia Bomfim (PSOL), Kim Kataguiri (MISSÃO), Tabata Amaral (PSB) e Juliana Cardoso (PT) entre os deputados federais mais votados da região, enquanto Eduardo Suplicy (PT), Eduarda Campopiano (PL), Sofia Favero (PSOL), Carlos Giannazi (PSOL), Paula da Bancada Feminista (PSOL) e Milton Leite Filho (UNIÃO) lideraram a preferência dos moradores para a Assembleia Legislativa (Alesp).

No entanto, o entusiasmo do período eleitoral contrasta drasticamente com a dura realidade de quem vive no asfalto da periferia: apesar da expressiva votação recebida na região, o histórico mostra que a imensa maioria desses parlamentares pouco ou nada se importa com as pautas vitais da Cidade Ademar, como a urbanização de áreas vulneráveis e o crônico descaso com os córregos locais.

Enquanto discursos inflamados e pautas ideológicas ganham os palanques e as redes sociais durante as campanhas, problemas fundamentais que sufocam os moradores continuam empurrados para debaixo do tapete. O drama histórico da bacia do Córrego Zavuvus, que transborda a cada temporal e devasta comércios e residências, raramente figura nos gabinetes de Brasília ou do Morumbi com a urgência que merece.

A falta de obras estruturais de macrodrenagem, a ausência de um plano eficaz de contenção de encostas e a carência de urbanização integrada nas favelas e loteamentos irregulares da região revelam a distância abissal entre os eleitos e a população da Cupecê.

Para os analistas locais, o eleitorado da Zona Sul precisa passar a cobrar uma fatia real de compromisso com o território. Votar em candidatos de peso nacional ou estadual sem exigir deles emendas parlamentares direcionadas para sanar o esgoto a céu aberto, as enchentes e a falta de infraestrutura urbana é perpetuar um ciclo onde a Cidade Ademar só é lembrada a cada quatro anos, servindo apenas como escada de votos para quem ignora os calçados enlameados de quem aqui reside.

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